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CRISTOLOGIA 2: ORIGENS DO MESSIANISMO
(Padre Geraldo Maia)

A religião dos antigos hebreus se fundamentava na relação da família, do clã e do povo com o seu Deus. Aos poucos esse povo foi tomando a consciência de que só existe um Deus, do qual provém tudo o que existe. O sonho que acalentava essas relações era a perfeita harmonia entre Deus e seu povo. Daí se originaram as alianças, com Adão, com Noé, com Abraão, com Moisés...
As primeiras páginas do texto bíblico já apresentam o sonho do Paraíso Terrestre, perfeita harmonia da criação. É esse o sonho de Deus para seu povo. Mas o texto bíblico traz também a narrativa do pecado, o distanciamento de Deus, a rejeição desse seu projeto de harmonia, de justiça e de paz verdadeira que brota das boas relações. Mesmo assim Deus persevera no seu sonho de efetivação de seu reinado sobre a terra, tendo o povo de Israel como referência. Para tanto, envia sempre seus “ungidos”, com uma missão especial.
Depois que esse povo foi liberto da escravidão do Egito, atravessou o Mar Vermelho e venceu as provações do deserto, adentrou na Terra Prometida, sob a liderança de Moisés e Josué. Ali esse povo fez uma experiência toda original de lideranças através dos Juízes, ungidos que Deus enviava para liderar o seu povo e apontar os caminhos de libertação. Mas logo o povo caiu na tentação de ter um rei, como as outras nações.
A instituição da monarquia foi uma maneira de justificar o poder consolidado do rei a partir do próprio Deus. O rei era a personificação dos próprios desígnios de Deus. Assim, quando escolhido, ele era ungido para que nele repousasse o Espírito de Deus. Mas logo esses reis desviaram seus caminhos dos propósitos da Aliança e dos desígnios de Deus. Já o primeiro rei, Saul, fez isso. Seu sucessor, o grande rei Davi, também caiu em pecado. E tantos outros descendentes desviavam-se dos caminhos de Deus.
Os profetas surgiam para denunciar a situação de distanciamento da Aliança e apontar os caminhos de Deus. Inicialmente os profetas acreditavam numa reforma, num retorno à Aliança de Moisés. Mas com o passar do tempo, vai-se perdendo a esperança de que essa Aliança fosse reparada, tamanha era a distância da prática do povo e de suas lideranças...
Já Isaías, Jeremias e tantos outros profetas começaram a compreender que era impossível refazer aquela Aliança. Começam a anunciar tempos novos: uma Nova e Definitiva Aliança, a ser selada pelo Ungido de Deus. Essa esperança se intensifica com a brutal experiência do exílio da Babilônia. Ela toma o nome de messianismo, porque embasada nessa expectativa de ação de Deus na história através de seu Ungido, seu Messias, que a língua grega chama de Cristo.
Vários textos bíblicos passam a relatar a esperança e as características desse Messias e de seu reinado na face da terra. O profeta Isaías é o grande artista dessa esperança, mas tantos outros textos reportam a ela. O chamado protoevangelho (primeiro anúncio da salvação, de Gn 3,15), escrito nos tempos do Exílio da Babilônia, projeta essa viva esperança. Grupos variados passam a formar ideias próprias sobre esse Messias. Este será o tema do nosso próximo artigo.